Um dos indícios de que o programa vai mal das pernas é quando mudanças começam a surgir o tempo todo, sem nenhum próposito ou prévio aviso. Mesmo quem não acompanha os números do ibope pela imprensa especializada pode notar apenas assistindo TV, quando a produção de uma atração tenta correr atrás do prejuizo, ao perceber certo desespero a cada nova mudança. De uns dois anos pra cá, pôde-se concluir isso ao acompanhar o Video Show. O clássico das tardes da Globo nunca passou por tantas mudanças em tão pouco tempo.
Em 2009, quando Boninho assumiu a direção de núcleo, o programa foi completamente modificado, ganhado mais quatros apresentadores e passando a ser exibido ao vivo. No ano seguinte, o ao vivo caiu e apenas uma dupla ficou: André Marques e Ana Furtado. A partir deste momento, as mudanças se tornaram ainda mais frequentes. Algum tempo depois, o programa teve um novo cenário. Ao mesmo tempo também mudavam a todo momento a escalada do programa, bem como sua vinheta de aberura que, vira e mexe ganhava novas cores. Novos quadros entravam e saíam do repertório a todo momento. Tanto mexe mexe deixou evidente que a atração buscava esconder a queda da audiência, uma realidade que o programa convive há tempos. E buscar novidades para tentar dar ao público o que ele quer ver é legítimo, porém as mudanças que o Video Show implantava não davam efeito, muito pelo contrário. Isso porque as tais novidades eram apenas estéticas, e não alcançavam o real problema da atração: sua total falta de conteúdo somada a uma apresentação completamente equivocada.
Tanto que, nos ultimos meses, o programa acabou virando uma esécie de Vale a Pena ver de Novo de tudo, como quadros clássicos da programação da Globo, virando um flashblack. Talvez empolgados com o sucesso do quadro Novelão que apresenta as novas de maior audiência da emissora, e também, Vale a pena rir de Novo, apresentando episódios inteiros do Sai de Baixo.
Depois de tantas mudanças, e sem qualquer reação no ibope, a esperança do telespectador de que o Video Show voltaria a ser um programa interessante quando a Globo anunciou que o Boninho deixaria a direção do programa. Em seu lugar, assumiu Ricardo Waddington. Os primeiros programas sob o comando de Waddington, já estão no ar e o que se viu foram mudanças além da "beleza". Ao que tudo indica, o Video show tem tudo para renascer das cinzas.
Agora, a atração não tem mais cenários fixos. André Marques e Ana Furtado apresentam o programa passeando nos corredores do Projac. As matérias foram reduzidas ao máximo, e as reportagens entram agora "coladas" uma às outras, dando um novo ritmo ao programa. Deste modo, já foi eliminado um dos principais problemas do programa: o falso entrosamento e o improviso ensaiado de André e Ana, que agora não aparecem mais juntos em cena. Os repórteres do programa, Dani Monteiro, Vinicius Valverde, agora fazem as cabeças de suas próprias matérias, o que já os coloca num patamar praticamente idêntico aos dos "apresentadores oficiais". Neste novo tom "passeando pelos estúdios", o enfoque do programa voltou a ser os bastidores das produções da Globo. Mais um ponto positivo, afinal, o telespectador do Video Show sempre adorou desvendar a fantasia da televisão.
Mas nem tudo está perfeito. Muitas bobagens persistem na pauta do programa. No ínicio da semana, por exemplo, preciosos minutos foram dedicados a uma máteria boba comandada por Ana Furtado, na qual a apresentadora oferecia massagem ao elenco da Globo que passava por ali. Não é engraçado, muito menos interessante. Pelo contrário, foi chato e cansativo. Mas, fora isso, já se nota uma melhora no counteúdo do Video Show nestes primeiros dias de Ricardo Waddington como diretor de núcleo. Agora é tempo a tempo para as novas criativas pautas entrem em cena.

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